... finda a bonança, e chegada a tempestade que cercava, o que resta é abandonar as armas
e retomar a luta ...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

::: carybé :::

Hector Julio Páride Bernabó  -   1911-1997

argentino de nascimento, baiano por opção...

cinco mil trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços.


ilustrador:
livro Ganga Zumba - João Felício dos Santos

ilustrador de coração de Jorge Amado, que disse sobre ele:
"feito de enganos, confusões, histórias absurdas, aparentes contradições, e, ao mesmo tempo, é a própria simplicidade".


Jorge Amado escreveu esta história para o seu filho João Jorge, em 1948, em Paris, e a inicia com esta trovinha:
O mundo só vai prestar
para nele se viver
no dia em que a gente ver
um gato maltês casar
com uma alegre andorinha
saindo os dois a voar
o noivo e sua noivinha
dom gato e dona andorinha

(Trova e filosofia de Estevão da Escuna poeta popular
estabelecido no Mercado das Sete Portas, na Bahia) (p.12)
O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá

por quase toda a sua vida, o pintor acreditou que o seu apelido Carybé provinha de um pássaro da fauna brasileira. Somente muitos anos depois, através do amigo Rubem Braga, descobriu que a sua alcunha significava 'mingau ralo', o que lhe rendeu diversas brincadeiras.

baiano puro sangue




o compadre de ogum

auto retrato



domingo, 29 de maio de 2011

::: porque gabriel :::

(na despedida do autor do mês)

porque gabo continua meu autor de cabeceira...


porque cem anos de solidão é um dos livros da minha vida...


porque eu sigo encontrando Macondo pelo mundo...


"... porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oprtunidade sobre a terra."


Porque ouvi certa vez o Ferreira Gullar dizer que O Amor Natural do Drummond foi um livro divisor de águas na sua vida. Disse que quando o leu pela primeira vez, percebeu que a poesia podia tanto. Ser aquilo tudo, levar, enlevar... Quis ser poeta.
E comigo foi bem assim com Cem anos de solidão.
Minha experiência mais definitiva.
Um soco na boca do estômago, que me cortava respiração por instantes, me fazia parar para absorver o genius loci da escrita alheia.
Passei a entender um livro como um lugar onde queria estar... sempre.
E eu nunca conseguia me preparar para o novo soco da frase seguinte...
Relia e relia e tornava a ler, na tentativa tola de absorver tudo.
Tola.
A cada nova página, todo aquele universo já se modificava - em cenários, estéticas e personagens.
E a releitura tornava a ser a primeira.
Acho que foi assim, depois de tantos livros já lidos, que me tornei leitora.

porque eu tive a sorte de ler na 7º edição – Ed. Sabiá.
tradução de Eliana Zagury.
e com o melhor, as ilustrações de Carybé (Hector Julio Páride Bernabó):






















aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.

Gabriel Garcia Marquez



sábado, 28 de maio de 2011

:eu só acredito nos deuses que dançam:


porque ontem foi sexta, hoje é sábado e amanhã só um deus (que dança) sabe o que vai ser....

frase correta:
"Eu somente acreditaria em um Deus que soubesse dançar."
Nietzsche

mas amo dita desse jeito pelo Xico Sá (que também amo!).

quanto ao Magal, continua tendo, de tão ruim é bom...
e os dias serão os mais felizes - sim!!!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

::: tento não me achar :::


tento não me prender

alma livre
vôo baixo
muitas palavras povoam a minha mente
palavras demais
tento não me perder
pouso e repouso e torno a voar
escrevo
me rendo à urgência
verso preso
sonho alto
dou vazão
esvazio...
faço uso de reticências
sempre
porque os pensamentos são incompletos
porque as emoções são inconstantes
porque ponto final não existe
porque nada é estanque
porque me arrisco...
rimo pobre
penso livre
e paro e falo e me espanto
me calo
e outra vez já me perco
vôo alto
alma longe
tento não me achar

Paula Quinaud

quarta-feira, 25 de maio de 2011

::: Poeta Paulo Carvalho :::

ABSINTO E AMORES

Paulo carvalho

Não sou professor
Sou aprendiz...
Tento aprender
Mas nunca consegui
Escrevo só o que consigo apreender
Tenho só o que obtive
Laborando, suando a derreter
Tento fugir, forte! Declive
Tomo Absinto e Aclive
Fraco ou forte tomo e dou
AMORES
Às vezes sinto
Às vezes dores
Mas sempre aprendiz.
Pra mim às vezes minto
Para as outras, sempre
AMORES E ABSINTO.


ilustre a visita de hoje!
muito feliz por ter você aqui...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

::: Plena - Poetisa Karla Mello :::

PLENA

Uma sinfonia…
No mais absoluto silêncio do meu ser.
Ouçam… Silêncio!...
Alguém escuta?... Percebe ou sente isto?
Ritmo calmo… com-pas-sa-do…
Abaixa este volume… por favor.
Leve… Leva-me.
Descompasso… ao avesso… inquietude e desejo – disritmia.
O quanto cabemos?
Cabemos?
E bem baixinho…Arde em frescor de plenitude…
E espalha-se pelo ar… Preencheria toda uma cidade.
Preencheria um mundo…
Preenche o meu… devasta o meu.
Encho minhas mãos em teus cabelos da prata…
Prata… luz que miro nos olhos teus… meus.
Luz… quero luz!
És luz… minha luz.
E depois?
Silêncio e paz…
Plena eu… E pluma… ternura.

Karla Mello


Esse espaço está muito feliz com a visita hoje de Karla Mello.
Segundo o poeta Paulo Carvalho, a "poetisa do amor pleno"...