sexta-feira, 22 de junho de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
:::luz, sombra...emoção:::
... talvez não nos demos conta de que nuvens negras estão próximas, ou do quanto já estamos envoltos por elas, ou até de que sempre estivemos submersos. ou enfim de que elas fazem parte de nossa essência...
ou talvez tenhamos a certeza, sublimada, disso.
certo é que a luz é ponto, o foco é fato e o mito da caverna é sempre recorrente. talvez, a explicação mais sensata da insensatez humana, de não ultrapassar o véu, a nuvem, a treva.
medo infantil de deparar com uma realidade inimaginável a roubar o conforto da segurança de um mundo que se tem ou que foi dito.
lampejos de consciência como esse se esvaem antes do final da escrita desse texto
(e com eles toda e qualquer possibilidade de percepção).
de modo que essa sensação de agora, de profetizar as existências de maneira quase psicográfica, e no tempo real em que a vida corre, não será demasiada suficiente para que se concretize no ato da transposição do manto opaco dos sonhos reais que se acercam.
saber isso é o máximo de lucidez, ou da loucura, que é permitida.
no mais tudo são sombras e relâmpagos.
Deus e homem.
vida curta. obra crua. gênio raro.
impacto.
punhalada.
ave caravaggio!
paula quinaud
Martirio di sant'Orsola
Caravaggio, 1610 – a última tela
Michelangelo Merisi da Caravaggio
Milão, 29 de setembro de 1571
Porto Ercole, 18 de julho de 1610
são Januário que escreve
enigmático, fascinante e perigoso de uma importância artística, para muito além dos mitos românticos que cercam sua trajetória infeliz e atormentada, como o “pintor assassino”.
filho de Fermo Merisi, administrador e arquiteto-decorador do marquês de Caravaggio, surgiu na cena artística romana em 1600.

são João Batista, 1603/1604
trabalhador incansável, mas orgulhoso e teimoso.
sempre disposto discussões e em brigas.
em uma delas, em 1606, matou um jovem.
teve que fugir com a cabeça a prêmio.
por essa época pintou as telas de maior lirismo, como:


flagellazione di Cristo, 1607

a ressurreição de Lázaro
pintor basicamente de temas religiosos, nem sempre teve as suas pinturas aceitas pelos humores dos seus clientes. em vez de adotar belas figuras etéreas e delicadas, optava por modelos mais humanos, prostitutas, crianças de ruas e mendigos...

flagellazione di Cristo, 1607
artista problemático, resistia ao enquadramento numa linha evolutiva na arte. mas teve antecessores e sucessores claros.
a coroação de espinhos, 1602/1603
não pintava os modelos vivos ao natural, mas por meio de espelhos e usando uma iluminação artificialmente dirigida, além de fazer uso de instrumentos óticos que projetavam imagens sobre a tela. reza a lenda, que na atitude mais extrema, usou o corpo de uma prostituta fisgada morta do rio Tibre para pintar...
a morte da virgem, 1604/1606.
dimensão, impacto, realismo, fundo raso, obscuro, negro.
cenas em primeiro plano. focos intensos de luz. detalhes e rostos.
na arte. na vida.
carreira de pouco mais que uma década, morto aos 38 anos.
fontes: http://www.caravaggio.com/
:::verso verde:::
moto-perpétuo
é algo que não finda.
quando descansa,
lavra o chão da palavra,
a paulinha,
que tem seis olhos
pra zelar e amar,
e mais dois para amar e amar...
ainda
tem a labuta,
o leão
e tudo enfim,
e por fim,
a poesia desvelada...
é de quina,
la quinaud,
mas não há esquina
na lua do anil...
porque paula quinaud
é circuLar...
é algo que não finda.
quando descansa,
lavra o chão da palavra,
a paulinha,
que tem seis olhos
pra zelar e amar,
e mais dois para amar e amar...
ainda
tem a labuta,
o leão
e tudo enfim,
e por fim,
a poesia desvelada...
é de quina,
la quinaud,
mas não há esquina
na lua do anil...
porque paula quinaud
é circuLar...
Janet Zimmermann
coluna da poeta Janet Zimmmermann
no jornal Horizonte/MS
:::feliz em participar:::
:::do avesso:::
o avesso do avesso do avesso do avesso…
e tem-se o direito tardando em volteios.
paula quinaud
e tem-se o direito tardando em volteios.
paula quinaud
sempre pensei que no final dos quatro avessos de Sampa, estava o direito...
hoje se confirmou.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
:::do ninho e do tempo:::
"...e o que ela quer da gente é coragem..."
e tudo é ninho...
um
dentro
de
um
dentro de
unus
infinito à dentro...
nada
é
um
sem
mal
ou
bem,
tudo envolve
a nossa sorte
da sola
ao cabelo,
do sol
ao escaravelho,
camada
por
camada,
tudo contém
um universo armado
o que está dentro,
coração querido,
é mais forte que bela casca
o que está dentro e pequenino,
querido umbigo,
comanda toda a carcaça...
e tudo é ninho...
cantemos!
jiz
Oração ao tempo
Caetano Veloso
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo
De modo que o meu espírito Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo
De modo que o meu espírito Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
o tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem...
o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo, tempo tem...
sempre a me travar a língua.
Marcadores:
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tempo
segunda-feira, 2 de abril de 2012
:::mentirinhas de ontem e de hoje:::
mentira tem perna curta
e o braço comprido a empurrar a gente...
pra baixo.
“Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou do perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto menti que comecei a mentir até minha própria mentira. E isso - já atordoada eu sentia - isso era dizer a verdade. Até que decaí tanto que a mentira eu a dizia crua, simples, curta: eu dizia a verdade bruta.”
Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no dia da mentira, dia das petas, dia dos tolos (de abril) ou dia dos bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.
Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.
Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day, "Dia dos Tolos (de abril)"; na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, literalmente "peixe de abril".
No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1828, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.
:::e mente-se bem!:::
por Hudson Silva
"Preciso mentir um pouco para que o ritmo aconteça e eu própria entenda o discurso."
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
pelo dia da não mentira!
pelo dia da não mentira!
Para que mentir
fingir que perduou
a emoção acabou
que coincidencia é o amor
a nossa música nunca mais tocou
Para que usar de tanta educação
para destilar terceiras intenções
desperdiçando o mel
devagarzinho, flor e flor
entre os meus inimigos,bieja-flor
Eu protegi o teu nome por amor
em um codinome beija-flor
não responda nunca meu amor
pra qualquer um na rua beija flor
Que só eu que podia
dentro da tua orelha fria
dizer segredos de liquidificador
Você sonhava acordada
um jeito de não sentir dor
prendia o choro e aguava o bom do amor
prendia o choro e aguava a bom do amor
fingir que perduou
a emoção acabou
que coincidencia é o amor
a nossa música nunca mais tocou
Para que usar de tanta educação
para destilar terceiras intenções
desperdiçando o mel
devagarzinho, flor e flor
entre os meus inimigos,bieja-flor
Eu protegi o teu nome por amor
em um codinome beija-flor
não responda nunca meu amor
pra qualquer um na rua beija flor
Que só eu que podia
dentro da tua orelha fria
dizer segredos de liquidificador
Você sonhava acordada
um jeito de não sentir dor
prendia o choro e aguava o bom do amor
prendia o choro e aguava a bom do amor
meus heróis morreram de overdose... de vida....
Cícero Lopes
Eu sei
...
...
Um dia pretendo
Tentar descobrir
Porque é mais forte
Quem sabe mentir
Não quero lembrar
Que eu minto também
Tentar descobrir
Porque é mais forte
Quem sabe mentir
Não quero lembrar
Que eu minto também
...
E como um anjo caído,
Eu fiz questão de esquecer,
Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira.
Mas não sou mais tão criança a ponto de saber tudo.
Eu fiz questão de esquecer,
Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira.
Mas não sou mais tão criança a ponto de saber tudo.
...
"Os homens mentiriam menos, se as mulheres fizessem menos perguntas."
Nelson Rodrigues
:::e tenho dito:::
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