... finda a bonança, e chegada a tempestade que cercava, o que resta é abandonar as armas
e retomar a luta ...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

:::o culpado:::


do pão, faz o circo... de idéias.
e oferece fantoches.
dança com as vaidades nuas.
e frágeis.
presa de enreda fácil,
...
sempre a devorar vontades.
(com fome de não saciar)
onde hão de caber tantos amores?

do ódio dá-se conta.
paula quinaud

terça-feira, 25 de outubro de 2011

:::oswald:::

.nasceu filho único em São Paulo em 11 de janeiro de 1890.

- José Oswald de Sousa Andrade -


Senhor
Que eu não fique nunca
Como esse velho inglês
Aí do lado
Que dorme numa cadeira
À espera de visitas que não vêm


(Primeiro caderno do aluno de poesia)

livro publicado em 1927,com tiragem de 299 exemplares, numerados de 2 a 300, mais um, em edição especial, de luxo, feita especialmente para Tarsila do Amaral.

...”o exemplar de número 18, faz parte do acervo da Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM). na página de rosto, Oswald transcreveu o poema “Erro de português”, como dedicatória para Jayme da Silva Telles, um dos fundadores da SPAM, criada em São Paulo em 1932 com objetivo de promover manifestações artísticas que se alinhavam com o modernismo brasileiro.”
acervo do Istituto Moreira Sales

Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.


no dia 27 de setembro de 2011 foi inaugurada no Museu da Língua Portuguesa uma mostra que cobre todos os períodos da vida desse escritor, retratado nas dimensões poética, histórico-biografica e filosófica.

para tanto, foi criado um roteiro que permite ao visitante o passeio por  quatro fases principais de sua vida...


... as quatro gares



(1890-1919)-garoto bem nascido sob as ordens de mamãe

(1920-1929)-ajudou a introduzir a modernidade artística no Brasil
       -vanguardista que revolucionou a literatura
íntegra manifesto antropófago em:  

(1930-1945)-revolucionário que abraçou causas populares

(1945-1954)- fase da utopia, em que retoma o ideário antropofágico e cai no ostracismo


.sob as ordens das mulheres/contra as ordens dos homens.

um passeio à parte é o carrossel amoroso e as suas mulheres
Kamiá  - Henriette Denise Boufflers
Carmen Lydia
Maria de Lourdes Castro Dolzani de Andrade - Miss Cyclone - Deisi
Tarsila do Amaral
Patricia Galvão - Pagu
Pilar Ferrer
Isadora Duncan
Julieta Bárbara Guerrini
Maria Antonieta


- amores e tédios e desamores e paixões e ódios -


A descoberta

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.



Canto de regresso à pátria
 
 
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

...
Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador
...
(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro,
Civilização Brasileira, 1971)


+em 22 de outubro de 1954+

e foi  recuperado nos anos 60 pelos poetas concretistas e
pelos tropicalistas



“Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas.”
1933, no verso da folha de rosto da edição original de Serafim Ponte Grande


OSWALD DE ANDRADE: O CULPADO DE TUDO
curadoria - José Miguel Wisnik,
curadoria-adjunta - Cacá Machado e Vadim Nikitin
consultoria - Carlos Augusto Calil e Jorge Schwartz
projeto expográfico - Pedro Mendes da Rocha.

Museu da Língua Portuguesa
Terça à domingo, das 10h às 17h
Praça da Luz, s/n
27/09/2011 - 30/01/2012
R$6,00 - aos sábados a visitação é gratuita

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

:::objetos & memórias & amigos:::

...
e se bom reaver tanto sonho,
a surpresa do novo tal qual...
essa rede também pesca gente!
pontes caras que antes quebradas,
são agora refeitas, constantes.
e outras vias no acaso encontradas,
trazem novos tão velhos confrades.
que se acham, se achavam perdidos.
escondidos.

passo a perna na curva da história.
e meu leme descubro e domino.
e até volta o meu sonho menino...
de num mundo poder me inventar.
navegar.
ser senhor desse tempo e de mim.

o arquivo do eu faço já.
- sempre há que se ter memória suficiente.

paula quinaud
(do poema tempo neocontado)
publicado aqui na íntegra em 05/06/2011

este post começa com o fim... deste meu poema que fala das novas relações que vão se estabelecendo nessa época virtuosa... onde vamos tendo a oportunidade de arrebanhar pessoas, que vão tomando assento na nossa vida.
e a gente se pergunta: como não estavam até aqui?

no último dia 02/10/11, foi lançado em são Paulo o livro Objetos & Memórias, um belo projeto idealizado por Roseli Bueno e escrito por mais de 300 mãos, cuja renda será totalmente revertida para instituições de amparo à terceira idade.


a proposta apresentada era escrever sobre um objeto pelo qual se tivesse algum vínculo afetivo. algo que fizesse parte da sua história, das suas recordações ou do seu imaginário sentimental.

esse convite foi feito às mais diferentes pessoas... escritores, anônimos, públicos, artistas... profissionais de diversas áreas e de vários cantos e encantos desse país.
cada um trazendo um pouco de suas memórias -
a partir de um objeto!


os temas foram bastante variados e os depoimentos ou contos estão interessantíssimos e merecem ser conferidos no livro:


muito feliz em participar, deixo aqui o registro de momentos...
pra lá de especiais.

________________________________________________

quando temos a oportunidade de nos envolver em projetos que visam contribuir com alguma causa, parece haver uma contrapartida certa.
é como se tudo conspirasse para nos retribuir, às vezes de maneira imediata.
aqui não foi diferente.
e a recompensa veio em forma de encontro.


 
mas foi desses encontros únicos que prescindem o tempo e se instalam em um lugar mágico onde as distâncias não existem.
em instância nenhuma...



para explicar melhor como se deram os fatos, tem-se o bom humor ácido e delicioso da poeta Mara Maracaba:

UM ÔNIBUS
(capítulo I)

Era só um ônibus
Feio, desbotado e velho!
O importante foi que eu senti
Juro que percebi...
Quando eu me lembro de lá
O sublime enlevo das almas
Que enfim se conheciam
Jorge era o motorista
Nos deixou na chuva
Mas encaixou como uma luva
No espírito altruísta
Que predominava acolá
Desconforto, cheiro de diesel queimado...
Sede, fome, mas algo se destacava
O espírito alegre, o sentido de grupo
De quem nele regressava do tal castelo
Sem príncipe ou cavalo e nem sapo apareceu
Uma coisa transpareceu, éramos um todo
Tínhamos uma razão que a todos pareceu
Mas do que suficiente, pra levar na esportiva
Tudo o que aconteceu...
A minha Andréia Sorriso
Todo o tempo a perguntar
Com seu jeitinho mineiro
Oh! Jorrrgggeee....demora muito a chegar?
Ô Jorrrgggeee...você nos leva ao hotel?
Nem vais pras banda de lá...?
E o caro Jorge entre esses e outros papos
Foi gostando de trazer
Esse mundaréu de lá...
A princípio não lhes causavam prazer
Depois que virou “o amigo Jorrrgggeee”
Aquele amigo tão simples...
Ele adorou a descida...dirigiu com bem cuidado
Trazendo todas felizes, tornando-as bem queridas
E de coração marcado, aquecido e estimado
Foi que ele buzinou...
Deu partida!
Foi-se!
Mais alguém que passou
Nesse Encontro em nossas vidas
Jorrrgggeeee, volta pra esse momento mágico...
Obrigada por nos guardar...


mas isso já foi a volta... até aí tem muito mais!

COM TRÊS, FOI A PRIMEIRA VEZ
(capítulo V)

O evento fluía como um rio caudaloso seguindo seu destino, rumo ao mar. Nós seguíamos nosso destino rumo a Mauá! Sabem aonde é? Pois é... quase ninguém sabia, mas lá aconteceria o ápice do lançamento do livro organizado por Roseli Bueno. O local fica em uma colina, os ônibus não subiram até lá e eu arrebentei meus sapatos de cor tomate ao tentar chegar lá... enfim, chegamos...
A sede do evento chamava-se “Monte Castelo”, por imitar um daqueles da Idade Média onde ocorrem os acontecimentos que envolvem muita gente sendo muito mais chique lá.
Salões enormes, lustres surreais, uma ambientação de época, coisa sensacional, para pessoas especiais! Elas escreveram o livro, sem nenhum fim lucrativo, desistiram dos direitos autorais e de outras coisas mais... Continuando a descrição do local, viam-se muito bem dispostas, muitas mesas redondas, grandes, cobertas por alvíssimas toalhas. Sobre as mesas lindos arranjos florais e castiçais quase iguais a cristais com velas brancas acesas, conferindo ao ambiente, um certo ar de nobreza.
Ao sentarmos à mesa estávamos as três protagonistas dessas descrições: Andréia, Hortência e Mara...pus em ordem alfabética, perceberam? Cris Navarro e a filha, um casal que já se encontrava lá e foram invadidos por nós... Alguns minutos depois avistei quem eu não esperava, Paula Quinaud e seu marido Carlos Minchilo, que imediatamente foram acomodados pois as resolvedoras, Andréia e Mara, confiscaram cadeiras das mesas mais próximas....rs rs
A alegria era tanta por esse encontro não previsto e não marcado, que nos abraçávamos e nos beijávamos, pulávamos e só depois dos ânimos serenados, começamos a conversar civilizadamente.
Após muitos salgados e alguns brindes etílicos eu fico rindo para as paredes, pois sou uma cocacólatra... de carteirinha e tudo! Algumas coisas inclusive foram fotografadas, como forma de documentar aquele brinde que os noivos costumam fazer, mas naquele dia especial, foram feitos vários entre três poetisas amigas ou amigas poetisas, que estavam muito felizes... Pensam que foi fácil fazer àquele negócio a três? Entrelaçar os braços e conseguir levar as taças até à boca? Era um enganchar de braços, respingar de cerveja e uma risadaria geral.
Depois foi a vez dos morangos, degustados pelas três ao mesmo tempo e rostos iluminados por estarmos juntos. Teve foto com flores na boca (ideia absurda que eu não sei de quem foi) e outras tantas, todas estranhas.
Destaque maior merece o Carlos, maridão da Paulinha, pois parecia que nos conhecíamos à vida inteira, pois se enturmou e divertiu-se com todas nós.
Houve um momento mais formal, no qual os livros foram autografados pela Roseli Bueno, elegantérrima, num longo azul Royal! Todas tentamos nos portar da maneira correta como nossa mamãe nos ensinou...
Daí, enquanto nos divertíamos, chegou-nos a notícia de que os ônibus já iriam sair... nem nos despedimos adequadamente dos que lá ficaram e nos encaminhamos para aquela bendita condução. Apesar dos atropelos o ônibus estava fechado, começou a chover, entramos provisoriamente em outro, que lá estava estacionado, até o “nosso Jorge chegar"...Sim, esse é aquele sobre o qual tratei no capítulo I dessas narrativas jocosas, que servem mais como mero registro de fatos acontecidos que no final e ao cabo, terminaram todos bem. Tudo perdoado e acertado!

Mara Maracaba


personagens saídos da escrita de um livro.
que se fizeram reais e se fizeram amigos e que hão de estar presentes...
contribuindo para a surpresa e a mágica de todo dia:


TROCANDO A PELE
Nelson Cônsolo Júnior

Renascer do parto do autoconhecimento
demolir os alicerces que fraquejaram,
remover os escombros do que fui, limpar o céu do pensamento
e realinhar as estrelas em novos desenhos de luz.
Lançar em neon o coração como guia da caminhada
e só saciar a sede direto da fonte.
Ignorar as sobras, os pingos, as migalhas,
o que vaza do alheio e nao pulsa como vital.

Sair dele seco e incendiar o aquário das lembranças,
fechar em definitivo o antiquário dos sentimentos perecidos.
Desvestir-me do adulto, vomitar umbigos e princípios,
abandonar meus egos mortos e feridos
(que guardei envernizados, condecorados e polidos).
Limpar os rastros, implodir as pontes,
remover das retinas paisagens, setas e mapas
que nao levaram a lugar algum.
Tirar dos olhos as lágrimas minhas e as que não me pertenciam.

Trocar a pele, remover a neve,
tirar do peito o sol e refazer as pazes com ele !

Lançar no abismo novelos sem mais tentar desembaraçá-los.
Estender as maos sim,
mesmo correndo o risco de que alguns as enxerguem como vazias.
Apagar os rótulos, as grifes, os títulos,
os carimbos e as marcas que me faziam tótem, ídolo, iludido.
Reencontrar-me na nascente,
lavar o rosto na água limpa da essência.
Rever estampada a face na minha origem,
reinventando-me onde eu nasço, onde eu mino...
Para quando esse fio cristalino que sou
fluir rumo aos rios e mares imensos da vida,
eu ainda me reconheça.


Hortência Spring em Vínculo afetivo escolheu um armário alemão recheado de amor e muita poesia.
Nelson Cônsolo Júnior  trouxe  em O tempo, esse temporão, um estojo de barba carregado de emoção de filho, de pai...


 
Dizem que a gente não pode viver de passado, penso que é tão bom a gente ter tido um passado... Então a gente aproveita o hoje, se lembra do ontem com louvor, e traça o destino para que no amanhã possamos colher as flores, sementes do passado, cultivadas no hoje!

Andréia Tafuri
presente e passado no livro com  As agendas.

quanto ao meu, que se chama Aos sete, fala de um amor antigo:
...

...

e vem mais por aí:
dia 02 de novembro será lançado na Feira do livro de Porto Alegre.
organização de Bia Castellano e Viviane Aquino.

muito mais, informações e aquisição:


::: foi assim :::

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

:::quadrinha, peleja e muito cordel:::

quem me comeu a carne,
porque não há de corroer os ossos meus?
deixe-me com eles,
que ainda são sustento.

cadê o anel que tu não destes?
e todo o bem que se juntou?
terás  que dar antes de ir.

paula quinaud


literatura de cordel (apelidada folheto) - gênero literário popular que pode ser vista no Brasil como um retrato da própria história. poesia improvisada, escrita frequentemente na forma rimada, originada em relatos orais e depois impressos. fruto da sabedoria e bom-humor de extraordinários poetas cordelistas nordestinos.
“O matuto usava calça
e camisa de algodão,
daquele pano grosseiro
que se fiava na mão.
Quando ele se abaixava,
A calça abria e fechava
Porque só tinha um botão.”

sua  origem remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais dos trovadores.
Pamphlet from the Dutch tulipomania
folheto holandês de 1637

chegou ao Brasil, pelas mãos dos portugueses, desde a colonização. instalou-se na Bahia, Salvador, e dali se irradiou para os demais estados do Nordeste. na segunda metade do século XIX já se tem notícia de impressão por aqui, com sotaque e caraterísticas tropicais.

"Esta peleja que fiz
não foi por mim inventada,

um velho daquela época
a tem ainda gravada
minhas aqui são as rimas
exceto elas, mais nada."
Leandro Gomes de Barros - o grande mestre de Pombal
peleja de Riachão com o Diabo, escrita e editada em 1899

by wichaska in Literatura de Cordel
o nome cordel  vem  da sua forma de comercialização (ainda em Portugal) onde eram pendurados em cordões para exposição.
mas principalmente:
Cordel: vem de corda, cordão, cordial, toca o coração.”
e virou sinônimo de poesia popular...



“O Mergulhão quando canta
Incha a veia do pescoço
Parece um cachorro velho
Quando está roendo osso.
Não tenho medo do homem
Nem do ronco que ele tem
Um besouro também ronca
Vou olhar não é ninguém”
(estrofes de quatro versos de sete sílabas)

existem várias possibilidades com versos de quatro ou cinco sílabas, sextilhas, setilhas, oito pés de quadrão, décimas, martelo agalopado, etc. bem explicadas no livro:


quanto aos temas, incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas , temas religiosos, entre muitos outros...  não há limites!

Ariano Suassuna  classificou os ciclos temáticos do cordel em:
1) “Ciclo heróico, trágico e épico;
2) Ciclo do fantástico e do maravilhoso;
3) Ciclo religioso e de moralidades;
4) Ciclo cômico, satírico e picaresco;
5) Ciclo histórico e circunstancial;
6) Ciclo de amor e de fidelidade;
7) Ciclo erótico e obsceno;
8) Ciclo político e social;
9) Ciclo de pelejas e desafios.”

a vida de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião e o suicídio do presidente Getúlio Vargas são alguns dos assuntos de cordéis que tiveram maior tiragem até hoje.


os principais, a essência:
Os Doze Pares de França, O Pavão Misterioso, Juvenal e o Dragão, Donzela Teodora, Imperatriz Porcina, Princesa Magalona, Roberto do Diabo, Côco Verde e Melancia, João de Calais, O Cachorro dos Mortos, A Chegada de Lampião no Inferno, Viagem a São Saruê…
clássicos do cordel

o cordel é originalmente impresso usando a técnica da xilogravura,  na qual se utiliza madeira como matriz, que  possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado. é um processo muito parecido com um carimbo.

por J.Nobre / Sem Título
oficinas Livres de Xilogravura ministradas por Janderson Nobre.

sempre a tradição e a história...
máquina usada pelo poeta
Raimundo Santa Helena
grandes cordelistas e muito mais em: http://www.ablc.com.br/
Academia Brasileira da Literatura de Cordel

a Literatura de Cordel  começou a ser reconhecida no Brasil a partir de dois  artigos:
de Orígenes Lessa na revista Anhembi (dezembro de 1955)
do estudioso francês Raymond Cantel no Le Monde (junho de 1969)

são muitos os mitos:

Orlando Tejo - fonte: http://onordeste.com/

...
O meu nome é Zé Limeira
De Lima, Limão , Limansa
As estradas de São Bento
Bezerro de Vaca Mansa
Valha-me, Nossa Senhora
Ai que eu me lembrei agora:
Tão bombardeando a França
...
Zé Limeira (Teixeira, 18861954)
o poeta do absurdo
pelas distorções históricas, surrealismo, nonsense e pelos neologismos esdrúxulos:
...
O Marechal Floriano
Antes de entrar pra Marinha
Perdeu tudo quanto tinha
Numa aposta com um cigano
Foi vaqueiro vinte ano
Fora os dez que foi sargento
Nunca saiu do convento
Nem pra lavar a corveta
Pimenta só malagueta
Diz o Novo Testamento!

Pedro Álvares Cabral
Inventor do telefone
Começou tocar trombone
Na volta de Zé Leal
Mas como tocava mal
Arranjou dois instrumento
Daí chegou um sargento
Querendo enrabar os três
Quem tem razão é o freguês
Diz o Novo Testamento!
(...)

Quando Dom Pedro Segundo
Governava a Palestina
E Dona Leopoldina
Devia a Deus e o mundo
O poeta Zé Raimundo
Começou castrar jumento
Teve um dia um pensamento:
“Tudo aquilo era boato”
Oito noves fora quatro
Diz o Novo Testamento!
...


J. Borges é um dos mestres do cordel. Nascido em Bezerros, município de Pernambuco é o xilogravurista brasileiro mais reconhecido no mundo.

continua trabalhando com seus filhos no seu atelier em Bezerros, a Casa da Cultura Serra Negra, no km 106 da BR 232, onde máquinas tipográficas dividem espaço com centenas de matrizes, gravuras e folhetos.
________________________________________________________________



Nanã cresceu e tornou-se uma bela menina!
Juntos, ela e seu pai, se divertem alegremente.
escultura de Mateus Lopes
SÉRIE: A Morte de Nanã
CENA: A Menina Nanã

...
Soluçando, pensativo,
Sem consôlo e sem assunto,
Eu sinto que inda tou vivo,
Mas meu jeito é de defunto.
Invorvido na tristeza,
No meu rancho de pobreza,
Tôda vez que eu vou rezá,
Com meus juêio no chão,
Peço em minhas oração:
Nanã, venha me buscá!

Patativa do Assaré
(Antônio Gonçalves da Silva 1909-2002)


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Meia noite, mais ou meno,
Se dispidino do povo
Disse: – Adeus, qui eu já vô.
Quando ele se arritirô,
Eu tombem me arritirei
Atraiz dele, sim sinhô.
...
trecho Confissões de Cabôco
Zé da Luz
(Severino de Andrade Silva  1904 -1965)
alfaiate de profissão e poeta popular brasileiro
Ai se sesse
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse

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"Em Belém do Pará eu conheci muitos cantadores. Mas o mais afamado, que emendou a camisa comigo, foi o índio Azuplim. Nossa batida foi a que se segue..."
Eu saí do Ceará
Deixei meu triste mocambo,
Com medo do dezenove,
Este pesadelo bambo.
Vinha o coronel Monturo
Junto com doutor Molambo...
A dona fome na frente,
Na cadeira do trapiche,
Dizendo: No Ceará
Tudo é fofo e nada é fixe.
Juro que aqui nesta terra
Não vinga mais nem maxixe...
A dona Fome me olhou
E disse a mim: — Eu pego!
Eu disse: — Não senhora!
Eu sei por onde navego,
Quem tem vista corre logo,
Quanto mais eu sendo cego
...

Cego Aderaldo 
(Aderaldo Feroreira de Araújo 1878-1967)
______________________________________________________
...
Eu volto agora à poesia
com a mente aperfeiçoada
contando mais um gracejo
que o povo dar gargalhada…
uma briga de dois cegos
que eu achei muito engraçada.
...
Enquanto o mundo for mundo
Não falta “cabra de peia”
É desses que enganam cegos
Ilude a filhinha alheia,
Abusa o povo e no fim
Só vai parar na cadeia.
A briga de dois cegos por causa de uma esmola.
Enéias Tavares dos Santos


muitas  pessoas se aproximaram, apaixonaram e levaram o Cordel para as mais distantes fronteiras. nomes como:
Ariano Suassuna, Mário de Andrade,  Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Orígenes Lessa, Mário Lago, Zé Ramalho, Glauber Rocha Na música, Villa-Lobos, Luiz Gonzaga, Elomar, Raul Seixas, Antônio Nóbrega, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Ednardo, Xangai, Fagner, Belchior, Zeca Baleiro, Lenine, Chico Science, Chico César, João do Vale, Jackson do Pandeiro, Jorge Mautner, Tom Zé, Dominguinhos, Sivuca, Hemeto Paschoal, Gilberto Gil, Pixinguinha, Cartola, Noel Rosa, Ary Barroso, Vital Farias, Genival Lacerda, Nando Cordel, Cordel do Fogo Encantado e tanta gente...
aos poucos vamos vendo um pouco do tudo que não tem fim, ainda bem! segue.


...porque é no simples que tudo se encontra...

mais: