... finda a bonança, e chegada a tempestade que cercava, o que resta é abandonar as armas
e retomar a luta ...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

::: ainda no mundo da lua :::

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

Alphonsus de Guimarães
grafite - Dinho / SP
muro de um belo horizonte

...na lua se perde
a lua é perdida...

e olha! é só a lua...


domingo, 11 de setembro de 2011

::: anna da lua amarela :::

belo horizonte 29º e uma lua amarela e linda.
a lua sempre convida...

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles, in 'Vaga Música'


A lua no cinema


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
   dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

   Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
   e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

   A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
   que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!

Paulo Leminski



... tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua 
merecia a visita não de militares,
mas de bailarinos, e de você e eu...

...por mais que eu pense
que eu sinta, que eu fale
tem sempre alguma coisa por dizer
por mais que o mundo dê voltas
em torno do sol, vem a lua me
enlouquecer...




Um sonhador é aquele que só ao luar descobreo seu caminho e que, como punição, apercebe a aurora antes dos outros.
Oscar Wilde


Eu  andarei  vestido  e  armado, com as armas  de  São Jorge. Para  que  meus  inimigos tendo  pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem, nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal. armas de fogo o  meu corpo não alcançarão, facas  e  lanças  se  quebrem  sem  ao  meu corpo chegar, cordas  e correntes se quebrem sem ao meu corpo,  amarrar.  
(oração ao glorioso são Jorge)


...canto e por fim
nem a lua tem pena de mim
pois ao ver que quem te chama sou eu
e entre a neblina se escondeu...


...quando a Lua apareceu,
ninguém sonhava mais do que eu
já era tarde, mas a noite é uma criança
distraída.
depois que eu envelhecer,
ninguém precisa mais me dizer
como é estranho ser humano nessas horas de partida...

rita lee

"Mas... Havia mais um menino que não era um dos nove.
Ele era bem pequenininho, menor que todos os outros (mas não o menos esperto).
Quem, desatento, o olhasse jamais ia imaginar que ele era o dono da história que - dele! - vamos contar e ia achar que ele tinha uma carinha de menino desses tristes.
Tinha, não.
Bastava olhar para ele com um pouco mais de atenção para a gente descobrir seu jeitinho de moleque escondido num sorriso sempre pronto pra se abrir.
Dava pra ver que ele era menino cheio de graça, ainda que o seu rosto fosse cheio de furinhos (do jeito que fica a areia das praias branquinhas depois que a chuva vai).
Ele se chamava Zélen - era o Menino da Lua."

Trecho retirado do livro O Menino da Lua, do Ziraldo.

 



fotografia Laurent Laveder - série Moon Games
http://www.laurentlaveder.com/

... o poeta e a lua ...
São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.
Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.


Soneto do Corifeu
Vinícius de Morais

 
...
vem do mundo da lua,
os olhos que não se esquece.
e junto com eles, que sabe,
está um caminho sem volta.
pois leva onde habitam as fadas.
e onde a beleza anda solta.
aponta o final do arco-íris.
e revela  que o pote de ouro,
é um simples sorriso de anna.
...
paula quinaud


fly me to the moon... sempre
(e do jeito que a lua rende, hão de ser muitas vezes)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

:::dancemos todos em setembro:::

ainda não é primavera, mas setembro sempre chega anunciando cores...
e sons e luzes e cantos... ave Quintana, por aqui esse mês.
eterno...



Canção da Primavera
(Para Érico Veríssimo)

Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até
Não mais saber-se o motivo...

Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!

Mario Quintana


esse poema foi escolhido para estar no convite para a noite de estréia da The Frenetic Dancing Days Discotheque, em 5 de agosto de 1976 no Rio de Janeiro. traduzia bem a que vinha o local...

e para não perder o tom da lembrança e nem o motivo pra dança do sol:
... dancing in september...

e Quintana e o sol da primavera continuam  por aqui ao longo do mês... mais sobre tudo.
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

:::o pessoa na pessoa... primeira:::

::: estou farto de semideuses :::
onde é que há gente no mundo?



Tuomas Korpi
Sou o fantasma de um rei
Que sem cessar percorre
As salas de um palácio abandonado...
Minha história não sei...
Longe em mim, fumo de eu pensá-la, morre
A ideia de que tive algum passado...

Eu não sei o que sou.
Não sei se sou o sonho
Que alguém do outro mundo esteja tendo...
Creio talvez que estou
Sendo um perfil casual de rei tristonho
Numa história que um deus está relendo...

                      Fernando Pessoa

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

:::passarim, joão:::

meu querer, ido, amor.
um dia pousou-me de lado.
no outro cantou, fez-se ninho...
no terceiro se foi, passarinho.

paula quinaud


broche da artista plástica/designer/ilustradora holandesa
Marloes Duyker
(série - ilustrações com máquina de costura)
Naked Design – Utrecht



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

::: tango :::

Tango Nuevo II - Pedro Alvarez

tango

no escuro, só, num canto,
adentras meu cenário.
em vista, a aventura.
que importa o meu desejo,
me tomas pa’bailar.

começa a contra dança,
de início a contra tempo.
alinha-se o par.
afina-se improviso.
nos olhos o impreciso.
e o tempo a girar.

seguimos com passado.
de noite ao mar só rosas.
de dia amar só prosas.
e a mão presa na coxa.
enlaçam-se as notas,
relevam-se as penas.
há fogo em cada volta.
ninguém quer apagar.

e segue a meio dia,
tão velha melodia,
e quem para escutar?
avanço, tu recuas.
eu cresço e continuas,
a me tremer as pernas.
a me roubar o ar...

distraio e rodopio.
e muda o andamento,
desanda a evolução.
um ocho e de repente,
estou a sufocar.
reflito  e troco o passo,
me levas pelo braço.
só ris.

diriges meu caminho.
tu dizes que conduz.
adestras movimento.
enquadras pensamento.
condenas a impostura.
controlas o equilíbrio.
com, junto, orquestrado.
percurso ensaiado.
transferes todo o peso,
eu fico rente ao chão.

atacas em falsete,
já quer variação.

aperta o compasso,
acirra a marcação:
andante,
imoderado.
por gênio,
atravessado.
não mais entrelaçado.
de duro a sincopado,
em ritmo binário.
requer compensação.
num tom tão agressivo,
me jogas para o alto.
eu caio assim tão fácil...

eis que então diz perto.
e a dama aqui já pensa.
a cena ali tão densa.
que já se fez duelo.
e tácito não mais.
sequencia interrompida.
mais crua que falida,
apruma-se o final.

e de tronco virado,
deslocas para a frente,
diz, louca, para o lado.
eu rodo em sua mão.
ocupas meu  espaço,
teu corpo em novo eixo.
meu  dorso encontra baixo,
eu saio a contra posto.
não somos mais um par.
só um.

acende-se a luz.
ninguém a aplaudir.

paula quinaud

trilhas possíveis:

a inspiração eterna...


ótima sugestão da amiga Cleonice A. de Paula
(e tema do primeiro vídeo poema)



... só porque um tango argentino,
quase sempre,
me cai melhor que um blues ...