Sou o fantasma de um rei
Que sem cessar percorre
As salas de um palácio abandonado...
Minha história não sei...
Longe em mim, fumo de eu pensá-la, morre
A ideia de que tive algum passado...
Eu não sei o que sou.
Não sei se sou o sonho
Que alguém do outro mundo esteja tendo...
Creio talvez que estou
Sendo um perfil casual de rei tristonho
Numa história que um deus está relendo...
estilo artístico marcado pela presença de cores fortes e brilhantes, texturas, linhas harmônicas e grande sentimento lírico. pinturas em que prevalecem as formas humanas individuais, grupos de pessoas e paisagens.
"A dor passa, mas a beleza permanece."
Menina com espigas, 1888
apesar das críticas que recebeu quando começou a pintar, Renoir era um artista que não tinha vergonha de celebrar a beleza:
"Não dou um nu por terminado até que tenha a sensação de que possa beliscá-lo."
"As Meninas Cahen d'Anvers" foi encomendado em 1881 pelo banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, pai das meninas Alice e Elisabeth Cahen d'Anvers, que aparecem no quadro. A obra pertence ao acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP) desde que foi adquirida por Assis Chateaubriand (fundador do Museu).
Les Demoiselles Cahen d'Anvers - Rose et Bleue, 1881
"Renoir, pintando Rosa e Azul, mostra na vibração da superfície e das cores vivas que compõem os vestidos das meninas toda a vivacidade e a graça instintivamente feminina que se esconde atrás da convenção da pose, todo o frescor e a candura da infância. As meninas quase se materializam diante de observador, a de azul com o seu ar vaidoso e a de rosa com um certo enfado, quase beirando as lágrimas."
(Texto junto ao quadro - MASP)
se a família não gostou do resultado do quadro, que ficou esquecido, escondido em um lugar qualquer obscuro da casa e só muitos anos depois redescoberto, o tempo lhe fez jus e a história trouxe seguidores.
serviu de inspiração para muitos artistas...
Damas em Giverny, 2005(óleo sobre tela - 47x59cm) Washington Maguetas,
imaginando como estariam estas duas irmãs de rosa e azul após alguns anos, visitando os jardins da casa de Monet na cidade de Giverny, na França.
sua forma de observar o mundo e a natureza, tornam-no inconfundível. a luz se espalha pelos seus quadros e capta o momento, segundo a sua impressão...
impressionismo -movimento das artes plásticas que se desenvolve na pintura entre 1870 e 1880, na França, no fim do século, e influencia também a música. é o marco da arte moderna porque é o início do caminho rumo à abstração. a intenção é apreender o instante em que a ação está acontecendo, criando novas maneiras de captar a luz e as cores.
a primeira exposição pública impressionista é realizada em 1874, em Paris.
entre as obras, está a tela que dá nome ao movimento:
Impressão: o Nascer do Sol, 1872
Claude Monet
Outros expoentes são os franceses Édouard Manet (1832-1883), Auguste Renoir (1841-1919), Alfred Sisley (1839-1899), Edgar Degas (1834-1917) e Camille Pissarro (1830-1903).
Ao piano, 1893
de música também se faz impressão:
as idéias do impressionismo são adotadas pela música por volta de 1890, na França. as obras se propõem a descrever imagens e várias peças têm nomes ligados a paisagens, como Reflexos na Água, do compositor francês Claude Debussy
Ces nymphes, je les veux perpétuer. Si clair,
Leur incarnat léger, qu'il voltige dans l'air
Assoupi de sommeils touffus.Aimai-je un rêve ?
Mon doute, amas de nuit ancienne, s'achève
En maint rameau subtil, qui, demeuré les vrais
Bois même, prouve, hélas! que bien seul je m'offrais
Pour triomphe la faute idéale de roses --
Réfléchissons...
(...)
O sûr châtiment...Non, mais l'âme
De paroles vacante et ce corps alourdi
Tard succombent au fier silence de midi :
Sans plus il faut dormir en l'oubli du blasphème,
Sur le sable altéré gisant et comme j'aime
Ouvrir ma bouche à l'astre efficace des vins !
Couple, adieu ; je vais voir l'ombre que tu devins.
A tarde de um fauno A sesta de um fauno "...E que ao lento prelúdio onde nascem as flautas, E que ao prelúdio lento em que nascem as flautas, E que ao lento prelúdio das varas de visgo, Este arroubo de cisnes, ou náiades! foge Este vôo de cisnes, náiades! se esquiva Esses signos no ar, mulheres! ludibriam Ou mergulha.... Ou imerge... Ou afundam...”
tridução de Décio Pignatari (traduziu cada verso de três modos diferentes) muito mais em outro post - breve...
nos caminhos da palma da mão de um menino,
há bem mais que a escrita da história.
que o relógio da vida contado.
do que a linha da sorte marcada,
advinda e adivinhada...
porque as rugas das mãos não se fazem,
nem espantam os meninos dos olhos.
pois no fundo dos olhos cansados,
bem no fim,
lá,
assim...
estarão somente os meninos.
(basta olhar)
bons meninos,
pra sempre serão só crianças.
maus meninos também.
traquinas, afoitos, leais, assustados.
meninos levados, eternos guerreiros.
quixotes domados,
moinhos de vento inventados...
heróicos, tem, justos, que serem bem fortes.
seguros, só podem contar com si mesmos.
cordatos, armados, em alerta constante.
se reis, solitários, em mundos reais.
ou nem tanto.
se bravos soldados em luta por paz,
altivos, cativos.
dobrar-se jamais.
tão cedo aprendem a cantar os seus cantos.
de morte, de norte, fadiga e de fuga.
meninos não choram, senão muito baixo.
meninos não amam, senão com resguardo.
pra sempre suportam a honra do homem.
no fundo inventam o papel que lhes cabe.
esteio, arrimo, infiel, provedor.
provam dor.
dissabor.
sucumbem reféns de suas próprias vontades.
a prova a conduta, no amor reprovados.
sem nunca, porém, revelarem o que sentem.
sem nunca negarem o valor de um amigo.
o acesso é restrito, são parcas as dores.
- é pouco o cabível a quem nasce varão.
opção?
prova-ação.
oração...
meninos por vezes se põem a rezar.
nem se nota.
se fazem doutores de muitas escolas.
meninos aprendem com mestres meninos.
a arte da caça e de ser gente e grande.
o ofício do sonho e de nunca crescer.
meninos pintados.
extintos, eternos.
meninos guardados na palma da mão.
"A criança está disponível para a poesia. Ao ponto de poema. A criança ainda não sabe o comportamento das coisas. E pode inventar. Pode botar aflição nas pedras e assim por diante. As crianças não sabem que pedra não tem aflição ou se os peixes dão flor."
"...os absurdos, os despropósitos são bens da poesia..."
Manoel de Barros
João vendo peixe (e pensando em flores???) é que é poesia...