Li Muito e poucos livros li e do que pude ler muito gostei posto que ler é transcender porque nos livros que li li cores sons sabores mas mais ainda gosto dos livros que não li pois os que li li... os que não li ai de mim não li sonhos assim os livros que não li não me existiram e vice-versa sendo que nos livros que li fui intensamente feliz... porém nos que não li asas quebradas... já que livros não lidos livros não revoados nem explorados ou experiencializados... Apesar de que não desdenho os livros que li pois lidos livros são p o n t e s para a sabedoria aos não lidos livros já que se não os tivesse lido não haveria a imaginação nem a curiosidade pelos vindouros livros na comparação que me impele ao vasto novo mundo Portanto por quanto tempo viver sonharei livre livros ler. Janet Zimmermann
pedi a Janet um poema para publicar aqui. ela escolheu esse, porque achou que combinava com o blog.
penso que ele combina com tudo, daquelas leituras de se reler muitas vezes...
a flor sobre a mesa é plástico.
a beleza comprada a vintém.
sê quem tem.
energia em doses no vidro.
alegria mal vem e se acaba.
mal.
é a vida de agora, é a hora.
nova era e me cai como um raio,
sem luz!
e sem rosto, e sem voz, mas com cara.
mascara.
camarada e a contagem inicia.
contagia, vicia e instiga...
intriga.
enreda...
e veloz e em tudo e eu me rendo.
porque o sol da manhã é tão forte,
mas o fogo do tempo é tão fraco.
a lembrança do rumo é meu norte.
nas janelas do espaço eu me perco.
sai-berço-espaço... esplêndido.
renasço.
mas tão perto do início, o enfim.
só.
assim...
e a certeza se esvai pelo ralo,
da rede.
adiciono e afins e a contento.
contratempo...
sentimento ruim eu bloqueio.
ou excluo com um toque e três teclas.
o aval para a dor me foi dado.
se quiser vivencio ou aplaco.
parador, para a flor, paro o raio.
paro o dado da sorte lançado.
para o curso, cursor, desatino.
paro lá, passo a crer no destino.
na ventura,
e a fatura a pagar.
(qual será?)
e se bom reaver tanto sonho.
a surpresa do novo tal qual...
essa rede também pesca gente!
pontes caras que antes quebradas,
são agora refeitas, constantes.
e outras vias no acaso encontradas,
trazem novos tão velhos confrades.
que se acham, se achavam perdidos.
escondidos.
passo a perna na curva da história.
e meu leme descubro e domino.
e até volta o meu sonho menino...
de num mundo poder me inventar.
navegar.
ser senhor desse tempo e de mim.
o arquivo do eu faço já.
- sempre há que se ter memória suficiente.
paula quinaud
o poeta Paulo Carvalho - o astronauta - me pediu um poema para o seu blog. escrevi esse pensando nessas novas relações que se estabelecem, nesse espaço mágico e surpreendente em que estamos... e nos meus amigos de todos os jeitos, épocas e lugares.
muitos beijos a todos...
(que especialmente ontem - 04 de junho - fizeram o meu dia muito especial)
retrata o cotidiano das classes populares na cidade de Salvador sob a ótica de Antônio Balduíno. um negro que morava no Morro do Capa-Negro, na Bahia. Baldo é seu apelido, colocado por Jubiabá, um pai-de-santo muito respeitado. a narrativa acompanha suas diferentes fases - desde quando vivia nas ruas, ainda criança, cometendo pequenos delitos, agregado a um comendador, malandro, boxeador, trabalhador nas plantações de fumo e artista de circo. o aspirante a herói popular, segue vida aproveitando-se das mulheres, criando confusões e malandreando pela Bahia, até se tornar estivador e fazer greve. por fim descobre que ser livre não é viver sem trabalhar. ser livre é lutar por um ideal.
ainda menino, Baldo se convence de que teria um ABC em seu nome. (ABCs - livretos de histórias heróicas, populares entre as classes baixas do povo baiano)
segue carreira rumo ao seu ABC...
com esse livro, Jorge Amado trouxe para seus romances a tese comunista do "etapismo", que defendia uma aliança política da esquerda popular com a burguesia.
e foi fonte de inspiração para diversos artistas:
Jubiabá
Martinho da Vila
O homem tem dois olhares
Um enxerga, e o outro que vê
Um enxerga, e o outro que vê
Tem o olho da maldade
E o olho da piedade
Tem que ter
Olho bem grande
Pra poder sobreviver
Jubiabá, Ô Jubiabá
Faz o feitiço bem feito
Pra minha nega voltar
No morro do Capa Negro
Quero lhe cambonear
Se secar o olho da maldade
O homem vai sofrer
Sem entender, a ruindade do mundo
Que o seu lado bom vai ver
E sem seu olho da piedade
Vai fazer gente sofrer, magoar, ferir
Sem refletir, e bem mais cedo
Vai desencarnar, subir
É a lei de Jubiabá
Ô Jubiabá
Faz o feitiço bem feito
Pra minha nega voltar
No morro do Capa-Negro
Quero lhe cambonear
Quero meus olhos abertos
Quero bem longe enxergar
Vendo o errado e o certo
Posso diferenciar
No morro do Capa-Negro
Quero lhe cambonear
Jubiabá, Ô Jubiabá
Faz o feitiço bem feito
Pra minha nega voltar
Jubiabá
Gilberto Gil
Negro Balduíno, belo negro baldo
Filho malcriado de uma velha tia
Via com seus olhos de menino esperto
Luzes onde luzes não havia
Cresce, vira um forte, evita a morte breve
Leve, gira o pé na capoeira, luta
Bruta como a pedra, sua vida inteira
Cheira a manga-espada e maresia
Tinha a guia que lhe deu Jubiabá
Que lhe deu Jubiabá
A guia
Trava com o destino uma batalha cega
Pega da navalha e retalha a barriga
Fofa, tão inchada e cheia de lombriga
Da monstra miséria da Bahia
Leva uma trombada do amor cigano
Entra pelo cano do esgoto e pula
Chula na quadrilha da festa junina
Todo santo de vida vadia
Tinha a guia que lhe deu Jubiabá
Que lhe deu Jubiabá
A guia
Alva como algodão e tão macia
Como algo bom pra lhe estancar o sangue
Como álcool pra desinfetar-lhe o corte
Como cura para a hemorragia
Moça Lindinalva, morta, vira fardo
Carga para os ombros, suor para o rosto
Luta no labor, novo sabor, labuta
Feito a mão e não mais por magia
Tinha a guia que lhe deu Jubiabá
Que lhe deu Jubiabá
A guia
Negro Balduíno, belo negro baldo
Saldo de uma conta da história crua
Rua, pé descalço, liberdade nua
Um rei para o reino da alegria
Tinha a guia que lhe deu Jubiabá
Que lhe deu Jubiabá
A guia
Jubiabá
Gerônimo
É ele o estivador
Seu suingue é um suor
Toda nega faz amor com ele,
Toda branca tem maior tensão, ô
Arêre tem confusão na pele
Tem Jubiabá seu protetor
Toda nega faz amor com ele,
Toda branca tem maior tensão,
Arêre de confusão na pele
Tem Jubiabá seu protetor
Jubiabá, baba, baba, babalaô
Bauduíno guerreira
É de canto e de samba
É comum no coração
Jubiabá
Luta pela divisão
Jubiabá
Na boca do mangue é rei
Despediu-se um grande amor
Uma bala cega sem destino,
Foi no peito do trabalho,
Este era o sonho do menino
Bauduíno sempre vencedor
[...] não sabia o que esperar de Jubiabá. Respeitava-o mas com um respeito diferente do que tinha [pelos outros adultos] os homens o ouviam com respeito; recebia cumprimentos de todos [...]. Na sua infância sadia e solta, Jubiabá era o mistério.
cinco mil trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços.
ilustrador:
livro Ganga Zumba - João Felício dos Santos
ilustrador de coração de Jorge Amado, que disse sobre ele:
"feito de enganos, confusões, histórias absurdas, aparentes contradições, e, ao mesmo tempo, é a própria simplicidade".
Jorge Amado escreveu esta história para o seu filho João Jorge, em 1948, em Paris, e a inicia com esta trovinha:
O mundo só vai prestar
para nele se viver
no dia em que a gente ver
um gato maltês casar
com uma alegre andorinha
saindo os dois a voar
o noivo e sua noivinha
dom gato e dona andorinha
(Trova e filosofia de Estevão da Escuna poeta popular
estabelecido no Mercado das Sete Portas, na Bahia) (p.12)
O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá
por quase toda a sua vida, o pintor acreditou que o seu apelido Carybé provinha de um pássaro da fauna brasileira. Somente muitos anos depois, através do amigo Rubem Braga, descobriu que a sua alcunha significava 'mingau ralo', o que lhe rendeu diversas brincadeiras.
porque cem anos de solidão é um dos livros da minha vida...
porque eu sigo encontrando Macondo pelo mundo...
"... porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oprtunidade sobre a terra."
Porque ouvi certa vez o Ferreira Gullar dizer que O Amor Natural do Drummond foi um livro divisor de águas na sua vida. Disse que quando o leu pela primeira vez, percebeu que a poesia podia tanto. Ser aquilo tudo, levar, enlevar... Quis ser poeta.
E comigo foi bem assim com Cem anos de solidão.
Minha experiência mais definitiva.
Um soco na boca do estômago, que me cortava respiração por instantes, me fazia parar para absorver o genius loci da escrita alheia.
Passei a entender um livro como um lugar onde queria estar... sempre.
E eu nunca conseguia me preparar para o novo soco da frase seguinte...
Relia e relia e tornava a ler, na tentativa tola de absorver tudo.
Tola.
A cada nova página, todo aquele universo já se modificava - em cenários, estéticas e personagens.
E a releitura tornava a ser a primeira.
Acho que foi assim, depois de tantos livros já lidos, que me tornei leitora.
porque eu tive a sorte de ler na 7º edição – Ed. Sabiá.
tradução de Eliana Zagury.
e com o melhor, as ilustrações de Carybé (Hector Julio Páride Bernabó):
aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.